Como avaliar o histórico de um domínio antes de o registar

O histórico de um domínio decide mais do que qualquer métrica isolada. Dois endereços com a mesma idade e o mesmo número de ligações podem ter passados opostos, e só uma análise cuidadosa mostra qual deles merece o investimento. O processo descrito a seguir demora algumas horas e evita erros que levam meses a corrigir.

O que o histórico revela

Um domínio acumula vestígios em vários lugares. O arquivo da web guarda cópias das páginas, as ferramentas de ligações registam quem apontou para o site e os motores de pesquisa conservam informação sobre o que já indexaram. Juntos, estes vestígios contam a história do endereço melhor do que o anúncio de venda.

Quem estuda a possibilidade de comprar domínios expirados deve tratar o histórico como uma investigação com três perguntas. O que foi publicado, quem ligou ao site e o que aconteceu entre o último dia ativo e a data de expiração. As respostas indicam se o domínio é um ativo ou um problema.

Convém registar as conclusões numa folha de cálculo, uma linha por candidato. Quando dois domínios parecem equivalentes, a folha mostra depressa qual tem menos pontos por esclarecer.

Cada fonte tem limitações. O arquivo não captura todas as páginas, as ferramentas de ligações veem apenas parte da web e o registo público omite dados de titulares. Cruzar as três reduz o risco de conclusões erradas, e a convergência de sinais conta mais do que um número isolado.

O arquivo da web como fonte principal

A fonte mais acessível é o arquivo da web. O Internet Archive anunciou que a Wayback Machine ultrapassou um bilião de páginas arquivadas, com cópias desde 1996, pelo que um site com alguns anos de existência dificilmente passou despercebido.

Percorra as cópias por ordem cronológica e leia os textos. Um tema consistente ao longo dos anos é um bom sinal. Alterações frequentes de assunto, páginas com blocos de palavras sem sentido ou uma mudança repentina para apostas e medicamentos sugerem que o domínio mudou de mãos várias vezes.

Registe também os períodos sem cópias. Intervalos longos indicam que o domínio esteve livre ou sem conteúdo, e as ligações acumuladas antes dessa pausa podem ter perdido relevância entretanto.

Compare as páginas arquivadas com as páginas que recebiam ligações. Se for possível reconstruir as mais ligadas, o domínio tem valor concreto.

Guarde ligações para as cópias mais reveladoras e anote as datas. Se o domínio vier a ser contestado, esses registos ajudam a justificar a decisão perante um sócio ou um cliente. Compare duas ou três versões da página inicial em anos diferentes e identifique o momento em que o conteúdo mudou.

Explore também as páginas interiores. Contactos, categorias e artigos antigos mostram melhor do que a página inicial se o conteúdo era escrito para pessoas ou preenchido automaticamente. Um site vivo tem histórico de publicações, e um site artificial tem textos parecidos com títulos repetidos.

Ligações e menções

Exporte a lista de domínios que ligam ao endereço e ordene-a por relevância temática. Um perfil saudável inclui blogues, notícias, diretórios e fóruns relacionados com o assunto original, e as ligações surgiram ao longo dos anos. Um perfil suspeito concentra milhares de ligações em poucos sites.

Abra uma dezena de páginas de origem ao acaso. Se muitas estiverem inativas, forem automáticas ou tratarem de temas sem relação com o domínio, o valor real do perfil é inferior ao número apresentado pelas ferramentas.

Analise o texto das ligações. Uma mistura de nomes de marca, endereços e expressões neutras indica crescimento natural, enquanto a repetição da mesma expressão comercial sugere compra de ligações.

Preste atenção às ligações vindas de sites noutras línguas. Se a maioria das origens usa um idioma diferente do projeto previsto, o contexto transmitido é fraco. Avalie ainda a data de aparecimento das ligações, porque um conjunto formado em poucas semanas aponta para uma campanha.

Registo e propriedade

O histórico de registo conta uma parte diferente da história. Mudanças frequentes de titular, intervalos entre expirações e renovações e alterações de servidores de nomes indicam um domínio com percurso instável. Consulte os dados públicos de registo e, quando existirem, os registos históricos fornecidos por serviços especializados.

Confirme se o nome coincide com uma marca registada. Um domínio que imita uma marca conhecida pode originar um litígio depois do lançamento, e o custo de o resolver ultrapassa facilmente qualquer vantagem das ligações herdadas.

Verifique o histórico de servidores de nomes e de alojamento, quando estiver disponível. Mudanças frequentes entre fornecedores sem relação aparente sugerem que o domínio passou por donos diferentes, e cada troca aumenta a probabilidade de o site ter sido usado para algo indesejado.

Registe a data da última renovação e o intervalo até à expiração. Um domínio que expirou várias vezes e voltou a ser registado teve períodos de abandono, e a idade útil do conteúdo pode ser muito inferior à idade da primeira data de registo.

Decidir com critérios

Defina antes da análise o que implica a rejeição. Sem critérios escritos, a tentação de aceitar um domínio apenas porque custou tempo a encontrar é grande. Seis perguntas bastam para uma decisão fundamentada.

  • O tema do site manteve-se coerente ao longo dos anos?
  • As cópias do arquivo mostram conteúdo real e não texto repetido?
  • As ligações vêm de sites ativos e relacionados com o assunto?
  • O texto das ligações é variado e natural?
  • Os titulares do domínio mudaram poucas vezes?
  • O nome está livre de conflito com marcas conhecidas?

Um domínio que responda afirmativamente a todas as perguntas merece uma proposta. Duas respostas negativas justificam procurar outro candidato, porque o mercado oferece novas opções todos os dias.

Guarde a folha de avaliação. Dentro de seis meses, a comparação entre a previsão e o resultado mostra que critérios pesaram mais, e a análise seguinte fica mais exata. Peça uma segunda opinião sempre que possível, porque um olhar externo repara no que o autor da análise deixou passar.